O desemprego no Brasil chegou a 10,1 por cento no mês de fevereiro, após passar oito meses com taxas de um dígito. O índice é o mais alto desde maio de 2005.
O dado foi divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Apesar da alta, esta é a menor taxa para um mês de fevereiro desde o início da nova fase, em março de 2002.
Em contrapartida, o aumento de janeiro para fevereiro foi o mais acentuado da nova fase para esse mesmo período.
"É uma hora de alerta, não dá para saber o que vai acontecer daqui para frente. O que nos deixa com uma pulga atrás da orelha é esse salto de 0,9 ponto de dezembro para janeiro e também de 0,9 ponto para fevereiro", disse a jornalista Cimar Pereira, responsável pela pesquisa, à Reuters.
"O IBGE já esperava alta. A pesquisa de janeiro já apontava para isso, você tem a combinaçao de dispensa de funcionários e retorno à procura de trabalho. Em março e talvez em abril a taxa pode continuar subindo. Em março, a gente vai ver se o motor do mercado de trabalho vai ser ligado ou não", acrescentou Pereira.
Segunda a mediana de nove consultados, analistas projetavam uma taxa de 9,5 por cento.
Nas seis regiões metropolitanas pesquisadas, o número de pessoas desempregadas ficou em 2,232 milhões, uma alta de 9,5 por cento sobre janeiro e uma queda de 3,5 por cento com relação a fevereiro de 2005.
Segundo Pereira declarou à Reuters, o mercado de trabalho está estagnado desde o segundo semestre do ano passado - a queda na taxa de desemprego em dezembro teria sido um ponto fora da curva.
Em São Paulo, a taxa de desemprego aumentou para 10,5 por cento em fevereiro, contra 9,2 por cento em janeiro.
O total de pessoas empregadas caiu 0,4 por cento na comparação mês a mês, para 19,922 milhões de pessoas.
Em sua declaração, Pereira acrescentou que o mercado de trabalho ainda está refletindo eventos do segundo semestre do ano passado. "As coisas no mercado de trabalho não têm uma resposta do dia para a noite, o que acontece ainda é reflexo do quadro político e econômico do segundo semestre."

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