Zona sul tem maior oferta de emprego em São Paulo
A população da Zona Leste é a que mais sofre para conseguir emprego na Capital. Segundo pesquisa do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), não há postos de trabalho suficientes para atender à procura em bairros da periferia. De acordo com o levantamento, em Cidade Tiradentes, por exemplo, há apenas 3.400 vagas formais para uma população de 188 mil pessoas.
No estudo, foi considerado o número total de habitantes de cada localidade, sem distinção entre a parcela de trabalhadores e a de não trabalhadores.
Para o Senai, o problema da Zona Leste é que a região concentra boa parte da população da Capital em uma área carente em postos de trabalho. Mesmo em bairros como a Penha, cujo índice de emprego não são dos mais baixos, faltam oportunidades. A região registra 47 mil vagas e quase 500 mil habitantes. Perto dali, em Guaianases, a carência por trabalho também é grande. A região abriga 2,5% da população da Capital, mas só detém 0,6% dos empregos na indústria, comércio e serviços.
A Zona Norte é outra região fraca em vagas. "Não há um pólo industrial definido e as pessoas têm de se deslocar para conseguir emprego", afirma o secretário do Trabalho da Capital, Gilmar Viana. "Além disso, a área é mais residencial do que comercial." Na Freguesia do Ó, por exemplo, vivem 3,8% dos paulistanos mas a região possui apenas 0,7% dos empregos (veja quadro).
Segundo o levantamento do Senai, cujos dados são de 2005, a Zona Sul apresenta uma situação diferente. Só a região da Vila Mariana é responsável pela manutenção de 19,9% do postos de trabalho de São Paulo: há 672 mil vagas formais para pouco mais de 312 mil pessoas. Esse quadro não surpreende Viana. Para ele, a região possui um grande pólo industrial, que também é responsável pela existência de muitas empresas de prestação de serviços. Segundo o economista Márcio Pochmann, do Centro de Estudos de Economia Sindical e do Trabalho da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a região também responde por boa parte dos órgãos públicos da Capital, o que justifica o alto índice de vagas formais.
Já a Zona Oeste, marca presença entre as cinco localidades com mais empregos com Lapa e Pinheiros. No Centro, o saldo também é positivo.
Os balcões de emprego comprovam que há mais vagas na Zona Sul do que no restante da Cidade. A Central de Trabalho e Renda, da CUT, possuía 372 vagas abertas cadastradas até a semana passada - 187 delas estavam distribuídas na Zona Sul, principalmente em Santo Amaro. Das 2.025 oportunidades do Centro de Apoio ao Trabalhador, da Prefeitura, 597 correspondiam à Zona Sul, muitas para Santo Amaro e Paraíso. A exceção fica por conta do Centro de Solidariedade ao Trabalhador, da Força Sindical. Na semana passada, a Zona Leste era a campeã de vagas (796). Porém, além de ser um retrato pontual, não indica que a situação da região é confortável, pois o déficit continua muito grande.
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