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UBS compra Banco Pactual por US$2,5 bilhões



By Thomas Atkins e Todd Benson
10 May 2006 @ 02:14 am EDT

ZURIQUE/SÃO PAULO - O banco suíço UBS revelou nesta terça-feira a decisão de comprar o banco de investimentos brasileiro Pactual por 2,5 bilhões de dólares. O negócio representa uma grande aposta da instituição em um dos mercados financeiros que mais cresce no mundo.

A compra do Pactual, uma instituição de capital fechado detida por 33 sócios-executivos, vai dar ao UBS forte posição no nicho de banco de investimento do Brasil e tornar o banco suíço um importante fornecedor de serviços de gestão de ativos e riquezas na região.

O acordo coroa mais de dois meses de negociações, que começaram quando o Pactual abordou o UBS para ajudar a estruturar sua própria oferta pública inicial. Esta oferta foi agora descartada.

"Foi amor à primeira vista", disse Huw Jenkins, chefe do banco de investimento do UBS, durante uma conferência telefônica. "O que foi particularmente atraente para nós sobre o Pactual foi que ele tem uma estratégia de negócios muito similar à nossa."

Jenkins disse que o UBS espera usar a nova empresa, que se chamará UBS Pactual, para expandir mais suas operações no Brasil e ao redor da América Latina. O sócio-diretor do Pactual Andre Esteves se tornará diretor-executivo do novo banco.

A compra do Pactual é a maior aquisição do UBS desde a aquisição da corretora norte-americana Paine Webber por 11,8 bilhões de dólares, em 2000.

O Pactual foi o último exemplo de banco de investimentos brasileiro a ser comprado por gigantes estrangeiros, uma tendência que começou de fato com a venda do Banco Garantia para o Credit Suisse em 1998.

O UBS há anos segue política de fazer aquisições menores e menos ousadas, fortalecendo paulatinamente sua posição como maior gestor de fortunas privadas do mundo.

O acordo segue uma série de transações idealizadas para estender a presença do UBS em mercados em crescimento, como a decisão do ano passado de assumir o controle da Beijing Securities, tornando o UBS a primeira instituição estrangeira a comprar uma corretora chinesa.

Em 2004, o UBS também tinha avançado no mercado de bancos de investimento da Rússia com a compra do Brunswick e no mês passado pagou 875 milhões de dólares pelas operações de varejo do banco de investimentos norte-americano Piper Jaffray .

O empurrão para a expansão no Brasil vem em um momento em que a economia do país está crescendo constantemente, seus mercados financeiros estão se ampliando e o empréstimo dos consumidores está se expandindo em um ritmo de dois dígitos.

ADICIONANDO LUCRO

O acordo também dá ao UBS um ativo premiado que foi agresivamente cotejado por seu rival norte-americano Goldman Sachs Group Inc. .

Goldman manteve conversas por mais de um ano para comprar uma fatia do Pactual. Mas as conversas fracassaram no último mês de novembro após os 33 parceiros do Pactual terem se frustrado com as demandas de due diligence do Goldman.

O UBS disse que o acordo com o Pactual, que deve ser finalizado no terceiro trimestre de 2006, seria levemente positivo para os lucros em 2006.

Disse ainda que o preço da compra soma entre 11 e 14 vezes os lucros do Pactual, que indicaria, disseram analistas, para um lucro anual de cerca de 200 milhões de dólares no banco brasileiro.

"Com este acordo, o UBS poderá reduzir sua relativamente fraca posição em alguns segmentos de banco de investimento --especialmente na área de renda fixa-- frente à concorrência", disse o analista do banco ZKB, Andreas Venditte.

"Estamos muito otimistas sobre o acordo. A estrutura do negócio é muito positiva, com pagamentos de performance em cinco anos baseada em lucros", acrescentou o analista da Cheuvreux de Zurique, Christian Stark.

O UBS informou que o preço de compra corresponde de 11 a 14 vezes os lucros do Pactual, que analistas afirmaram ser de aproximadamente 200 milhões de dólares anual.

O UBS informou ainda que o acordo com o Pactual, que deve ser finalizado no terceiro trimestre de 2006, deverá ser levemente positivo para o lucro de 2006 do banco e deve adicionar ganho a partir de 2007.

Um porta-voz do UBS disse que a transação não deve resultar em demissões.

O UBS declarou que o valor presente do negócio vale 2,5 bilhões de dólares, o que inclui pagamento inicial de 1 bilhão de dólares mais até 1,6 bilhão de dólares ao longo de cinco anos, de acordo com critérios de performance.

As ações do UBS caíram 0,73 por cento para 149,50 francos, junto com as blue chip de bancos europeus. As ações do UBS subiram mais de 20 por cento até agora em 2006.

(Reportagem adicional de Marcelo Mota)

Este artigo pertence ao Reuters

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