Selic cai a nível inédito mas juro real ainda é de 2 dígitos
O Banco Central cortou o juro básico brasileiro na quarta-feira pela nona vez seguida. A Selic foi reduzida em 0,50 ponto percentual, para 14,75 por cento ao ano, em linha com as expectativas do mercado.
Segundo o BC, a taxa é a menor desde 1986 --quando tem início a série histórica da Selic. O juro nominal também é o mais baixo desde que a Selic tornou-se a taxa referencial do país, em 1999.
Em termos reais, no entanto, o juro brasileiro ainda é de dois dígitos.
O Comitê de Política Monetária (Copom) repetiu, em um breve comunicado, que irá "acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião" para definir os passos seguintes.
Pesquisa da Reuters na semana passada mostrou que 18 de 20 economistas projetavam redução da Selic em 0,50 ponto percentual. Os outros dois estimavam corte de 0,25 ponto.
Analistas acreditam que dados benignos de inflação e a recuperação moderada da atividade econômica não exigiam cautela maior no afrouxamento monetário por parte do BC, apesar das turbulências externas e do recente aumento do preço do petróleo.
Nesta semana, o mercado reduziu novamente a previsão de inflação neste ano, segundo o relatório Focus. A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu para 3,77 por cento em 2006, ante 3,81 por cento na semana anterior.
A estimativa está bem abaixo da meta central definida pelo governo para o ano, que é de 4,5 por cento.
Para a economista-chefe da BES Investimentos, Sandra Utsumi, essa foi uma das decisões mais confortáveis do BC. Segundo ela, a dificuldade para a condução da política monetária começa daqui para frente.
"A partir de agosto, a gente vai ter uma visão mais clara em relação à magnitude das pressões que podem vir de fora do país, além de uma análise do impacto do afrouxamento monetário passado", comentou.
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