BRASÍLIA - O Banco Central decidiu nesta quarta-feira, por unanimidade, reduzir o juro básico brasileiro em 0,50 ponto percentual, para 14,25 por cento ao ano. O décimo corte consecutivo da taxa Selic surpreendeu a maioria do mercado, que esperava diminuição de 0,25 ponto.
Esta foi a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) antes do primeiro turno das eleições presidenciais, que acontece em 1o de outubro. A próxima está agendada para os dias 17 e 18 de outubro.
Em breve comunicado, o Copom afirmou ter tomado a decisão após avaliar "o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação".
"Eu recebi muito bem essa surpresa... Eu começo a apostar que, dependendo de como a atividade econômica se comportar daqui para os próximos meses, esse seria o último corte", disse o economista-chefe da Uptrend Consultoria Econômica, Jason Vieira.
"Em agosto e setembro, a atividade precisa dar sinais de que respondeu à política monetária. Se der, eles fazem uma parada técnica na queda dos juros, se não der, eles continuam cortando", acrescentou.
Já o economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, afirmou que a decisão abre a "perspectiva de Selic talvez abaixo de 14 por cento no final do ano".
Pesquisa da Reuters na semana passada mostrou que 16 de 20 analistas projetavam redução de 0,25 ponto percentual. Os demais previam corte de 0,5 ponto.
Na ata da reunião anterior do Copom, o BC indicou que teria "maior parcimônia" na condução da política monetária. A frase deu subsídio à projeção de economistas de corte de 0,25 ponto percentual no encontro deste mês.
Apesar disso, nos últimos dias vinha ganhando força no mercado a idéia de que o BC tinha espaço para reduzir a Selic em 0,50 ponto, dado o cenário de inflação controlada e de crescimento moderado da economia.
Conforme o relatório Focus do BC, o mercado financeiro espera inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2006 de 3,68 por cento, bem abaixo da meta do governo de 4,5 por cento. Os prognósticos de inflação para 2007 também são favoráveis.
Ao mesmo tempo, a projeção do mercado para o crescimento da economia este ano vem sendo reduzida e está em 3,5 por cento.
Na quinta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre. Analistas estimam desaceleração em relação aos primeiros três meses do ano.
INDÚSTRIA PEDE MAIS
Representantes da indústria e do comércio acreditam que há espaço para redução maior da taxa Selic.
"A trajetória de queda da taxa de juro básica, Selic, mais uma vez mantém o seu ritmo tímido e não compromissado com crescimento já", disse o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Skak.
A taxa Selic de 14,25 por cento é a menor desde 1986 --quando tem início a série histórica da Selic. O juro nominal também é o mais baixo desde que a Selic tornou-se a taxa referencial do país, em 1999.
O BC iniciou em setembro de 2005 a diminuição da Selic, quando a taxa estava em 19,75 por cento ao ano.
(Por Cesar Bianconi; com reportagem adicional de Angela Bittencourt e Vanessa Stelzer)

Technical analysis for precious metals with major support and resistance levels and recommendations for 18-08-2009
