Log in to your IBTimes Account

close
ID
Password
  • Set your IBTimes.com Edition

Ausência de Lula leva monotonia a debate da TV Gazeta



By Carmen Munari
14 September 2006 @ 09:25 am EDT

SÃO PAULO - A 18 dias da eleição, o debate entre candidatos à Presidência da República, realizado pela TV Gazeta na quarta-feira, foi marcado por críticas à ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e por poucos ataques entre os presentes.

Assessores dos presidenciáveis não se furtaram a comentar que o programa, de duas horas de duração, foi "chato" e "monótono".

Participaram do debate Geraldo Alckmin (PSDB), Heloísa Helena (PSOL) e Cristovam Buarque (PDT). A apresentadora, Maria Lídia, afirmou que Lula, líder das pesquisas de intenção de voto, "sequer respondeu ao convite" da emissora e a bancada que corresponderia ao petista foi mantida vazia durante todo o programa. Os outros quatro candidatos que concorrem à Presidência não foram convidados por não terem representação no Congresso, como prevê a regra eleitoral.

Também foi sentida a ausência de lideranças de peso no lado tucano. Os presidentes dos partidos que formam a coligação de apoio a Alckmin não compareceram, ao contrário do debate realizado na TV Bandeirantes em agosto, o único do gênero até agora, quando Tasso Jereissati (PSDB) e Jorge Bornhausen (PFL) estiveram presentes. O tucano mais graduado na platéia da TV Gazeta foi o senador Sergio Guerra (PSDB-PE), coordenador-geral da campanha.

"Está monótono", disse Guerra em entrevista durante o debate. Ainda assim afirmou que um programa do gênero é melhor que um comício, por reunir maior público.

LULA FORA

Os principais ataques a Lula ocorreram no início do programa e tiveram como alvo as denúncias de corrupção que pesam sobre o governo.

"O senhor Luiz Inácio Lula da Silva tem em sua coligação o nome de a Força do Povo e se nega a vir debater diante do povo. Do quê tem medo o presidente Lula ao fugir dos debates sistematicamente? Das acusações que poderiam pesar sobre ele? Das cobranças que poderiam ser feitas sobre ele?", disparou Cristovam Buarque, ex-petista que tem 1 por cento nas pesquisas de intenção de voto.

Heloísa Helena, com 9 por cento de preferência, foi mais ferina. "Quero repudiar a ausência do candidato Lula, que tem que aprender de uma vez por todas que tem obrigação de descer do seu trono de corrupção, arrogância, covardia política e estar em todos os debates. Ele não tem o direito de se achar melhor do que as outras pessoas, do que os outros candidatos... e aqui não está para ser desmascarado".

Já Alckmin, principal adversário do petista, com 28 por cento nas pesquisas, manteve seu estilo pouco agressivo. "Lamento que o candidato Lula, que fez promessas enormes há quatro anos, a maioria delas não cumpridas, que teve cinco ministros indiciados ou denunciados pela polícia, não venha ao debate exatamente para não tratar desses temas".

O tucano também precisou dar explicações sobre seu tratamento em relação ao governo Lula. Ele negou que os ataques amenos sejam receio de um revide petista em relação à sua administração em São Paulo.

"Não há nenhuma vulnerabilidade no governo, aliás, 12 anos de governo (tucano) em São Paulo pautado pela ética, pela correção, pelo trabalho". E emendou: "Mas é dever de todo brasileiro combater a corrupção, não são fatos isolados, é uma estrutura de poder autoritária. O que é o mensalão, é querer comprar o outro poder, é submeter o poder Legislativo ao Executivo. Há uma lista telefônica de corrupção". Por mais de uma vez, Alckmin citou o caso, que está sendo investigado, das revistas produzidas pelo governo federal que foram enviadas ao PT para distribuição.

FIM DA REELEIÇÃO

Questão polêmica para a qual já deu respostas contraditórias, o instrumento da reeleição voltou a ser tema de questionamento a Alckmin. Desta vez, disse ser contrário.

"A minha proposta de reforma política terá fidelidade partidária, voto distrital misto e fim da reeleição". E voltou ao tema para reafirmar: "Eu entendo que, mantida a atual regra, sem o mínimo de regulamentação, eu sou contra. Se eu fosse votar no Congresso Nacional, votaria contra".

Ele, no entanto não respondeu a uma pergunta sobre um suposto acordo entre o PT e o PSDB que estaria em curso para um eventual segundo mandato de Lula e que prevê sua derrota. Preferiu reprisar o bordão "a eleição está começando... Vamos ter segundo turno e então quem vai ganhar é o eleitor".

VOTE NELES

Cristovam Buarque protagonizou alguns dos poucos momentos de descontração, como quando pediu votos para os demais candidatos. "Vamos tentar convencer um número maior de pessoas a votar na educação (seu lema). Se não conseguirem, peçam voto para esses outros que estão aqui, porque o Brasil precisa desesperadamente do segundo turno".

BAIXA AUDIÊNCIA

Ao final, o jornalista Luiz Gonzalez, responsável pela comunicação da campanha de Alckmin, avaliou que o debate foi chato e disse que o programa não deve ter influência sobre a intenção de voto no tucano. Deu três razões: baixa audiência da emissora, estimada em 1 por cento de TVs ligadas; o horário tardio (das 23h a 1h); e perfil do público, que viu por curiosidade ou dever de ofício e já tem candidato.

Já o deputado Ivan Valente (PSOL), que assessorou Heloísa Helena, achou positivo o programa, mas admitiu que "sem Lula perde impacto".

A TV Gazeta está presente em dez Estados (SP, MG, MT, GO, PE, PR, RJ, SC, RS, RR) além do Distrito Federal, mas é tida como uma emissora eminentemente paulista. O próximo e último debate está marcado para 28 de setembro na TV Globo.

Este artigo pertence ao Reuters

    Click!
  • Rate this article:

Comments

Post Your Comment

*Name

  • International Business Times Secutiry Check

advertisement
More Politics & Policy
Tens of thousands of opposition activists paraded through Thailand's sprawling capital on Saturday to try to win over Bangkok's middle classes to their a...
A Palestinian youth was killed by Israel troops and another was seriously wounded on Saturday during a clash in the occupied West Bank, Palestinian hospi...
Pope Benedict apologized on Saturday to victims of child sex abuse by clergy in Ireland and ordered an official inquiry there to try to stem a scandal gr...

advertisement
 
IBTimes.com Web
Partners
International Business Times© Copyright 2012 International Business Times. Terms of service | Privacy Policy | Advertising | About Us | Contact Us | Archives