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Preços industriais estáveis restringem alta do IGP-M no mês



By Vanessa Stelzer e Renato Andrade
28 September 2006 @ 03:40 pm EDT

SÃO PAULO - A inflação medida pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) desacelerou em setembro e caminha para encerrar o ano com a terceira menor taxa da história, avaliou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta quinta-feira.

A redução da inflação, que passou para 0,29 por cento em setembro ante 0,37 por cento em agosto, refletiu principalmente preços menores no atacado, com destaque para os industriais.

Economistas consultados pela Reuters esperavam uma alta de 0,24 por cento para o índice este mês.

"O índice está há dois meses se acomodando na faixa de 0,30 por cento, o que se você anualizar, ficaria uma taxa de 3,6 ou 3,7 por cento para 2006", afirmou Salomão Quadros, economista da FGV.

Quadros trabalha com uma previsão perto de 3,5 por cento para o ano, o que ficaria atrás apenas da taxa recorde de baixa de 1,21 por cento de 2005 e da inflação de 1,78 por cento em 1998. O IGP-M é calculado desde 1989.

Quadros acredita que a taxa de outubro também deve ficar próxima de 0,30 por cento, mas disse que o resultado vai depender do comportamento da soja e do álcool no mês.

"O IGP mora no 0,30 por cento. De vez em quando ele dá um passeio em outros patamares, por isso é difícil prever."

No ano, o IGP-M acumula alta de 2,26 por cento e nos últimos 12 meses, de 3,28 por cento.

PREÇOS INDUSTRIAIS COLABORAM

Entre os componentes do IGP-M, o Índice de Preços no Atacado (IPA) subiu 0,36 por cento em setembro, após alta de 0,46 por cento em agosto.

"O IPA teve uma queda (desaceleração da alta) importante no mês e foi isso que diminuiu o índice", afirmou Quadros.

O IPA industrial ficou estável, repetindo a alta de 0,39 por cento em agosto. O IPA agrícola avançou 1,55 por cento, contra 0,71 por cento no mês anterior.

No segmento industrial, houve desaceleração dos preços nas indústrias extrativa mineral, metalúrgica, mecânica, de material elétrico, além dos combustíveis e lubrificantes e de produtos alimentares industrializados.

Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) acelerou a alta, para 0,18 por cento, ante 0,13 por cento no mês anterior.

Na relação de itens que pressionaram para cima, destacam-se alguns alimentos, como carnes, e o grupo Habitação, em razão do reajuste da tarifa de água e esgoto em São Paulo.

A tarifa de água liderou a lista das principais altas individuais de preços no atacado, com aumento de 2,55 por cento. Seguiram-se limão, aluguel residencial, pimentão e plano de saúde.

Os preços de Vestuário também pressionaram, diminuindo a queda de 1,35 por cento em agosto para recuo de 0,30 por cento em setembro, devido à entrada da nova coleção.

O Índice Nacional do Custo da Construção (INCC) teve aumento de apenas 0,09 por cento, frente a alta de 0,35 por cento em agosto.

Este artigo pertence ao Reuters

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