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IPCA-15 sobe 0,37 % em novembro puxado por alimentos



By Angela Bittencourt e Daniela Machado
24 November 2006 @ 11:55 am EDT

SÃO PAULO - A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) subiu para 0,37 por cento em novembro, influenciada principalmente por maiores custos de alimentos.

O dado, praticamente em linha com a previsão de 0,35 por cento de analistas consultados pela Reuters, não muda as expectativas para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A maioria dos economistas espera corte da Selic em 0,50 ponto percentual na semana que vem.

Em outubro, o IPCA-15 mostrou alta de 0,29 por cento.

A aceleração da taxa neste mês foi puxada pelos preços de produtos alimentícios --que subiram 1,35 por cento, ante avanço de 0,47 por cento em outubro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

O grupo Alimentação e bebidas foi "responsável por 73 por cento do índice do mês", segundo o IBGE. Carnes, em período de entressafra, e frango foram as principais contribuições individuais para o índice.

"A dinâmica geral da inflação é boa. Alimentação é muito volátil e o Banco Central não olha para isso para tomar suas decisões", comentou Alexandre Lintz, estrategista-chefe do BNP Paribas, lembrando a desaceleração do núcleo do IPCA.

O núcleo por médias aparadas com suavização caiu de 0,32 por cento no IPCA de outubro para 0,27 por cento no IPCA-15 de novembro. Sem suavização, a taxa passou de 0,19 por cento para 0,16 por cento.

O economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, também citou a volatilidade do grupo alimentação. "A inflação está concentrada... e, da mesma forma que o BC não acelerou o corte do juro no período de queda forte dos alimentos no início do ano, não deve reagir agora", avaliou.

No ano, o índice acumula alta de 2,60 por cento e, nos últimos 12 meses, de 2,99 por cento.

ECONOMIA FRACA

Lintz, do BNP Paribas, citou ainda a deflação exibida pelos bens duráveis neste ano para argumentar que a economia está fraca e, portanto, o BC não tem motivos para frear o afrouxamento monetário.

"Os bens duráveis mostram média mensal de deflação de 0,20 por cento no IPCA", afirmou. "As vendas no varejo (desse grupo) estão fortes porque o preço caiu. Além disso, a inflação de serviços está desacelerando."

O IPCA-15 é tido como uma prévia do IPCA, o índice que serve de referência para a meta de inflação do governo.

A metodologia de cálculo é a mesma, apurando a variação de preços para famílias com renda de até 40 salários mínimos em 11 regiões metropolitanas do país.

A diferença está no período de coleta, já que o IPCA mede o mês calendário, enquanto o IPCA-15 apurou os preços entre os dias 13 de setembro e 11 de outubro.

Este artigo pertence ao Reuters

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