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Ipea reduz alta do PIB para 2,8% em 2006 também por importações



By Vanessa Stelzer
06 December 2006 @ 09:32 am EDT

RIO DE JANEIRO - A performance fraca do terceiro trimestre e o aumento mais forte que o esperado das importações levaram o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) a reduzir a previsão para o crescimento econômico brasileiro deste ano.

A força da demanda interna, por sua vez, garantiu que o prognóstico divulgado nesta terça-feira pelo instituto --que é ligado ao Ministério do Planejamento-- continuasse igual para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2007.

A projeção para a alta do PIB neste ano passou de 3,3 por cento em setembro para atuais 2,8 por cento, enquanto para 2007 permaneceu em 3,6 por cento.

"Por um lado, no terceiro trimestre, o dinamismo da economia foi inferior e, por outro lado, o crescimento das importações está se revelando mais forte, apontando para uma demanda externa líquida negativa", disse a jornalistas Fabio Giambiagi, economista do Ipea.

"De um modo geral, há um nível de demanda bastante bom, que está sendo abastecido em proporção maior do que se imaginava pela presença de importações. O lado bom é que isso ajuda no combate à inflação, mas prejudica o PIB."

Segundo Paulo Levy, diretor de Estudos Macroeconômicos do Ipea, se a demanda externa neste ano ficasse igual à de 2005, o avanço do PIB seria de 4,9 por cento.

A estimativa do Ipea para a expansão deste ano está abaixo da prevista pelo governo, de 3,2 por cento, mas acima da taxa do mercado, de 2,86 por cento, conforme o relatório Focus distribuído semanalmente pelo Banco Central.

O Ipea prevê que a indústria brasileira deva crescer 3,2 por cento este ano, uma queda de um ponto percentual em relação à projeção anterior.

A agropecuária deve ter expansão de 3,0 por cento, um pouco acima dos 2,3 por cento projetados no levantamento passado.

O instituto manteve em 6,0 por cento a expectativa para o aumento da formação bruta de capital fixo --uma medida do investimento.

PERSPECTIVAS PARA O ANO QUE VEM

A idéia de crescimento do ano que vem aposta na evolução da demanda doméstica, cuja participação deverá passar de 4,1 pontos percentuais este ano para 5,1 pontos em 2007.

Em contrapartida, a demanda externa deve continuar com impacto negativo no PIB: -1,5 ponto percentual em 2007, contra -1,3 ponto previsto para este ano.

"Há uma aceleração do crescimento do PIB no quarto trimestre, que prevemos ser de 1,3 por cento, e isso dá um carry over de 1,3 ponto percentual para 2007", disse Levy.

"Além disso, a demanda continua crescendo de forma forte, já que a massa salarial deve crescer mais de 6 por cento e o consumo 5 por cento em 2007. Isso leva a crer que haverá uma resposta de produção e do investimento."

Ele reafirmou um estudo divulgado em novembro pela entidade, dizendo que a economia brasileira só deve crescer os 5 por cento almejados pelo governo em 2017, se o governo resolver as questões estruturais do país.

"O fator crítico para acelerar o crescimento do PIB é criar as condições para o aumento da oferta, ou seja, investirmos para que as empresas possam investir mais e produzir mais", afirmou Levy, citando também como entrave a carga tributária elevada.

Para a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o prognóstico para 2006 passou de 3,2 para 3,1 por cento.

Este artigo pertence ao Reuters

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