SÃO PAULO - As principais categorias de trabalhadores conseguiram no primeiro semestre reajustes em nível igual ou superior ao da inflação, apesar da forte aceleração dos preços nos últimos meses.
O estudo sobre os dissídios salarias do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos (Dieese) só será publicado em agosto, mas Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico da entidade, adiantou que os bons resultados vistos em 2007 --algumas vezes recordes-- se sustentaram.
"Até agora mantém a mesma performance, bastante boa... Não temos todos os dados fechados ainda, mas até então o comportamento é muito semelhante ao de 2007", disse à Reuters.
No ano passado, 88 por cento das negociações salariais tiveram reajuste superior à inflação e 8 por cento a igualaram.
Os principais reajustes que ocorrem no primeiro semestre são os de comércio, construção civil, metroviários e professores. No segundo semestre concentram-se os metalúrgicos e bancários.
O diretor de Política Econômica do Banco Central, Mario Mesquita, destacou nesta semana que os aumentos salariais, quando desvinculados de ganhos de produtividade, pressionam os custos das empresas --o que pode contribuir para realimentar a inflação caso sejam repassados aos preços finais.
"O que as empresas devem ter em mente antes dos dissídios é que o Banco Central não irá acomodar as condições de demanda agregada de forma a chancelar qualquer decisão por parte das empresas", afirmou a jornalistas.
Em meio ao preocupante cenário inflacionário, um sinal positivo sobre o mercado de trabalho foi dado nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A taxa de desemprego em maio foi a menor desde o encerramento de 2007 e a renda média real subiu 1,5 por cento frente ao ano anterior, apesar da queda de 1,0 por cento em relação a abril.
"Entre inflação e atividade em crescimento, um meio que neutraliza o impacto do outro, mas ainda cresce a renda. Não é só a inflação que promove a corrosão da renda, é a atividade em acomodação ou retração", afirmou Flávio Serrano, economista sênior do Bes Investimento.
"Na briga entre o setor trabalhador e os empregadores, com a demanda aquecida, os trabalhadores têm uma carta na manga para negociar salários, porque os empregadores precisam de gente trabalhando para atender essa demanda aquecida."
ALERTA NO LONGO PRAZO
Serrano alerta para a necessidade de observar eventuais efeitos da aceleração da inflação no longo prazo --e os consequentes reajustes salariais. "Se o empregador não quiser pagar mais, ele vai contratar outro que aceite ganhar menos. Mas essa briga acontece ao longo do tempo."
Por enquanto, o trabalhador vai tentando repor as perdas dos últimos anos.
Segundo Lúcio, do Dieese, considerando 1985 o início da série histórica, o valor do salário real médio hoje é a metade do registrado naquela época.
"Uma parte dessa perda é dos planos econômicos que não deram certo e da inflação lá no alto, e outra parte é decorrente da ausência do crescimento econômico do país", explicou.
"(O salário) teria que crescer 50 por cento... Agora temos uma economia estabilizada, o que ajuda a conseguir recomposição do salário, mas esse aumento (de 50 por cento) vai ocorrer gradualmente, ao longo de cinco, sete ou 10 anos", acrescentou.
(Com reportagem adicional de Isabel Versiani, em Brasília: Edição de Daniela Machado)

Technical analysis for precious metals with major support and resistance levels and recommendations for 18-08-2009
