Cenário externo dita ritmo e dólar recua para R$1,622
O dólar fechou em queda nesta quarta-feira, seguindo os movimentos dos mercados internacionais e aproveitando o bom humor na Bolsa de Valores de São Paulo.
A moeda norte-americana caiu 0,61 por cento, a 1,622 real. Apesar da queda nas duas últimas sessões, a divisa ainda acumula alta de 3,77 por cento neste mês.
"O mercado está se acomodando com a bolsa ajudando bastante", disse Sergio Falcão, consultor da SLW Corretora ressaltando que a alta de cerca de 2 por cento da bolsa paulista abriu espaço para a valorização do real após os fortes ganhos do dólar nas últimas semanas.
Segundo Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora de Câmbio, o mercado cambial está bastante ligado ao cenário externo reagindo pontualmente a notícias e indicadores.
"O mercado (doméstico) está lastreado às commodities, ao euro e ao (movimento do) dólar (frente a outras moedas)", disse o gerente, explicando que qualquer impacto nesses ativos é dispersado nos outros.
Nesta quarta-feira, o índice Reuters-Jefferies de commodities subia 0,72 por cento, enquanto que o dólar apresentava baixa frente a uma cesta com as principais moedas do mundo.
"Esta instabilidade nos Estados Unidos tem gerado uma gangorra aqui, toda vez que sai algum índice, balança essa gangorra", disse Galhardo afirmando que o investidor tem evitado se posicionar de forma mais expressiva nos mercados futuros.
Dados da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) mostram que os investidores montaram posições líquidas compradas de aproximadamente 9 bilhões de dólares na primeira quinzena de agosto. Mas tal posição vem sendo desmontada e somam atualmente apenas 192 milhões de dólares.
Em relatório, Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora de Câmbio, explica esse movimento afirmando que "as oscilações ocorridas ao longo de julho decorreram de 'especulação' nos derivativos contra o dólar, postura que foi revertida e substituída por 'especulação' contra o real" em agosto, justificando parte do avanço da moeda norte-americana acumulado neste mês.
Para Nehme, o mercado não tem mais força para impulsionar o dólar e deve retornar lentamente ao patamar de 1,60 real.
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