HELSINQUE - A Sony Ericsson despertou nesta sexta-feira novos temores quanto a uma queda severa na demanda por celulares ao divulgar que suas vendas mal atingirão metade do volume vendido no trimestre passado.
As ações de todo o setor caíram acentuadamente com a notícia; a Ericsson despencava mais de 8 por cento, e a maior fabricante mundial de celulares, Nokia, tinha queda acima de 5 por cento.
A Sony Ericsson, quarta maior fabricante de celulares do mundo, anunciou que prevê vendas de apenas 14 milhões de aparelhos entre janeiro e março, devido à demanda fraca e às medidas de redução de estoque adotadas pelo varejo. Analistas consultados pela Reuters em janeiro previam vendas de entre 15,5 milhões e 21,8 milhões de celulares.
"Os investidores estão questionando todo o mercado, agora, embora eu acredite que as questões para a Sony Ericsson sejam específicas da empresa", disse Jari Honko, analista do eQ Bank.
Na noite passada, a Palm, uma rival de menor porte, divulgou prejuízo maior no trimestre dezembro a fevereiro e informou que sua receita havia caído 70 por cento em comparação com o mesmo período do ano anterior.
A Sony Ericsson anunciou que antecipa prejuízo antes de impostos de entre 340 milhões e 390 milhões de euros (459 milhões a 526 milhões de dólares) no trimestre, e que deve encarar o segundo ano consecutivo de perdas.
"É uma verdadeira catástrofe. Trata-se de prejuízos muito elevados, e a empresa provavelmente está perdendo muito mercado", disse Greger Johansson, do grupo de análise Redeye. "Está claro que os volumes são muito inferiores aos que o mercado havia imaginado, e que os prejuízos são muito, muito mais altos", disse ele.
"Os resultados decepcionantes não surpreendem dada a fraqueza da carteira de produtos da Sony Ericsson no momento e as condições desafiadoras que enfrenta em seus mercados mais fortes", disse Ben Wood, diretor de pesquisa da CCS Insight.
A companhia tem se desenvolvido com base em uma forte oferta de aparelhos de preço médio equipados com câmeras e players de música de alta qualidade. Mas essa parte do mercado celular é a que está vendo a mais acentuada retração este ano depois que operadoras passaram a reduzir subsídios de modelos mais sofisticados.

