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Ex-ditador argentino vai a julgamento por Guerra Suja



By Luis Andres Henao
03 November 2009 @ 10:43 am EDT

BUENOS AIRES -

O último presidente da ditadura militar argentina, que durou de 1976 a 1983, foi a julgamento na segunda-feira por acusações de sequestro, tortura e assassinato de 56 pessoas em um campo de concentração. O julgamento acontece em um tribunal provisório montado em um estádio.

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Reynaldo Bignone, de 81 anos, um general aposentado que governou a Argentina de 1982 a 1983, e outros sete oficiais e policiais enfrentam um painel de três juízes que os julgarão por terem ordenado espancamentos, simulações de afogamento e choques elétricos em detidos na base militar de Campo de Mayo.

Centenas de pessoas, inclusive vários parentes das vítimas, apareceram para o início do julgamento, feito em um campo de futebol fechado na periferia de Buenos Aires porque o tribunal local não era grande o bastante para abrigar o número de pessoas que queria assistir aos procedimentos.

Segundo um relatório do governo mais de 11 mil pessoas morreram ou desapareceram durante a "Guerra Suja" da Argentina, a repressão a grupos de esquerda e outros opositores ao regime militar. Grupos de defesa dos direitos humanos dizem que o número está mais perto de 30 mil.

"Esse é um julgamento histórico na busca pela verdade para todos os desaparecidos", disse à Reuters Alcira Rios, advogada de parentes de uma das vítimas. "Temos que dizer não à impunidade. Devemos isso à nossa sociedade argentina."

Bignone se balançava para frente e para trás em sua cadeira enquanto as acusações contra ele eram lidas no tribunal. Ele e os outros réus podem pegar prisão perpétua se condenados em um julgamento que pode durar até cinco meses.

Mais de 130 pessoas devem ser chamadas para testemunhar contra os réus a partir da próxima semana.

Também estão sendo julgados os generais aposentados Santiago Omar Riveros, Eugenio Guanabens Perello e Fernando Exequiel Verplaetsen, e os coronéis aposentados Jorge Osvaldo Garcia, Carlos Alberto Tepedino e Eduardo Alfredo Esposito. O ex-policial German Montenegro também será julgado.

Durante a abertura do julgamento, Verplaetsen foi retirado da sala devido à doença.

Os acusados "parecem idosos, mas eles cometeram genocídio", disse Taty Almeida, membro do Mães da Praça de Maio, um grupo de direitos humanos, em entrevista durante um intervalo nos procedimentos.

Este artigo pertence ao IBTimes.

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