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ENTREVISTA-Meirelles: país usará ingressos para ampliar reservas



By Sebastian Tong
05 November 2009 @ 05:05 pm EDT

LONDRES -

O Brasil usará os ingressos de capital no país para elevar suas reservas internacionais, continuando a comprar dólares para suavizar quaisquer distorções de preço que possam surgir por conta do fluxo, afirmou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

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Em entrevista à Reuters nesta quinta-feira, Meirelles disse ainda que haverá alguma discussão entre os ministros de Finanças na reunião do G20 no final de semana sobre como os efeitos do enfraquecimento do dólar estão sendo sentidos de forma desigual entre os países.

Meirelles avaliou que os fortes ingressos de capital no Brasil não são consequência somente da liquidez injetada nas principais economias, como Estados Unidos, para combater a recessão global, mas também dos sólidos fundamentos econômicos brasileiros.

"Nós aproveitaremos o fluxo líquido em direção ao Brasil para acumular reservas e fortalecer a resiliência da economia brasileira", afirmou. "Mas... também para evitar distorção de preço no mercado como resultado de falta ou excesso de liquidez."

O Brasil registrou em outubro entrada líquida de 14,6 bilhões de dólares, a maior desde junho de 2007, enquanto o BC adquiriu 6,7 bilhões de dólares no mercado de câmbio à vista em leilões liquidados no mês passado.

No mês passado, o país impôs uma alíquota de 2 por cento de IOF sobre investimentos estrangeiros direcionados a ações e renda fixa, num esforço para conter o maciço ingresso de capital que tem alimentado a alta da Bovespa e valorizado o real.

A rápida apreciação da divisa é vista como uma ameaça para os exportadores brasileiros.

Meirelles preferiu não tecer comentários sobre patamares do câmbio e a recente taxação sobre recursos estrangeiros, mas insistiu que o Brasil não está adotando controles de capital.

EFEITOS DESIGUAIS

Meirelles afirmou que o BC está trabalhando em uma revisão da legislação cambial, definida na década de 1930.

"O importante é continuar desenvolvendo um sistema que seja mais eficiente e menos custoso, e um de nossos objetivos é evitar distorções de preços no mercado", disse.

Repetindo comentários feitos mais cedo pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, Meirelles afirmou que um dos tópicos do encontro do G20 será a disparidade entre regimes cambiais controlados e flutuantes.

"O ajuste do dólar ante outras moedas está atualmente distribuído de maneira irregular no mundo. Haverá uma discussão sobre a questão de diferentes regimes cambiais", disse ele.

Meirelles acrescentou que os países do G20 também discutirão seus planos individuais para retirar estímulos governamentais, à medida que a economia global se recupera da crise financeira.

"Temos de dividir ideias sobre as estratégias de saída para garantir que compreendamos o que cada um está fazendo."

Este artigo pertence ao Reuters

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