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Sunitas vão às urnas reivindicar voz na política iraquiana



By Waleed Ibrahim
09 March 2010 @ 09:06 am EDT

RAMADI, Iraque -

Depois de serem privilegiados sob o regime de Saddam Hussein e relegados ao esquecimento político após a queda dele, muitos árabes sunitas optaram por votar na eleição parlamentar de domingo passado no Iraque.

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Em áreas sunitas como a província de Anbar, na qual forças dos EUA enfrentaram uma violenta insurgência, a raiva contra o governo liderado pelo xiita Nuri Al Maliki é palpável.

"Não há serviços (públicos) e não há emprego. Vivemos na pobreza. O que estão esperando. Ver-nos mendigar para ficarmos vivos?", disse Kamel Farhan, de 66 anos, que perdeu dois filhos em um atentado há alguns anos e tem ele próprio cicatrizes de balas.

"Se não houver mudança, o sangue vai chegar nos joelhos. As mortes e a violência irão retornar a esta província", declarou, sentando na loja de um parente em Ramadi, a capital provincial.

A minoria sunita, sentindo-se alienada pela invasão norte-americana de 2003, boicotou o primeiro pleito para uma assembleia provisória, em 2005, mas participou do segundo, em dezembro de 2005, para um Parlamento definitivo. Ainda assim, esse grupo se sente excluído do poder político.

Desta vez, o eleitorado sunita espera alguma recompensa tangível.

O comparecimento em Anbar, uma faixa de deserto que vai de Bagdá até as fronteiras com Síria, Jordânia e Arábia Saudita, foi de 61 por cento, praticamente igual à média nacional de 62 por cento.

Essa cifra foi igualada ou superada em outras províncias de maioria sunita, segundo a Alta Comissão Eleitoral Independente. O comparecimento foi de 66 por cento em Nineveh, 62 por cento em Diyala e 73 por cento em Salahuddin, lar do clã de Saddam.

A segurança em Anbar melhorou muito desde que líderes tribais se aliaram aos EUA para derrotar a Al Qaeda, a partir de 2006.

A democracia competitiva é uma novidade no Iraque, onde em 2002 Saddam venceu um referendo sobre sua liderança com 100 por cento dos votos.

Os sunitas não estavam imunes à mão de ferro de Saddam, mas não sofreram a sistemática opressão que recaiu sobre os curdos e xiitas, que conquistaram poder com a queda dele.

Essa atormentada história lançou as sementes da carnificina sectária que quase destroçou o Iraque em 2006 e 2007.

Este artigo pertence ao Reuters

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